Jamais Tancredo admitiu em público o apadrinhamento político por Ernesto Dornelles. Pois, como dito anteriormente, ele fora chefe de polícia no período de Benedito Valadares impondo ferrenha perseguição aos opositores políticos do regime.
Principalmente a Arthur Bernardes, que voltara do exílio em Portugal, junto com seu companheiro de PR, Jorge Carone, pai de Jorge Carone Filho, ex-prefeito de Belo Horizonte casado na Revolução de 1964.
Meses depois da volta de Bernardes por iniciativa de Ernesto Dornelles, o chefe político de Viçosa foi obrigado a manter-se prisioneiro por mais de um ano em sua própria fazenda.
Arthur Bernardes havia participado do movimento de 32 e da tentativa de levante da então força pública mineira contra Getúlio Vargas. Ernesto Dornelles foi sem dúvida alguma o principal algoz da classe política mineira. Poucas pessoas têm conhecimento desse fato.
O sobrenome “Dornelles” de seu sobrinho Francisco era apenas uma coincidência. Não tinha nada a ver com Getúlio Vargas, como costumava dizer Tancredo. Nenhum órgão da imprensa deu grande importância a esse fato.
Foi nesse período que começaram a se formar as "Legiões Revolucionárias", em alguns pontos do país. Para aglutinar as lideranças que participaram do movimento de 32, fundou-se o "Clube 3 de Outubro", reunindo a fina-flor do "tenentismo", com participação do próprio coronel Góis Monteiro, e com um apoio ostensivo de Getúlio Vargas, que lhe fez várias visitas e pronunciou discursos de preocupante teor totalitário.
A corrente civil logo passou à organização de milícias, usando uniformes especiais, à semelhança dos "camisas-negras" de Mussolini e os "camisas-pardas" de Hitler. Uma dessas milícias era a dos "camisas-cáqui", fundada em Minas Gerais pelo ministro da Educação e Saúde, Francisco Campos, conhecida como "Legião Mineira".
Tancredo evitava dar destaque a sua aproximação com Ernesto, principalmente após 1937, quando Getúlio Vargas apoiou Pedro Aleixo, fundador do jornal Estado de Minas, para derrotar o líder mineiro Antônio Carlos na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, sendo, portanto, o primeiro substituto de Getúlio, pois não havia a figura do vice-presidente na Constituição de 1934.
A partir daí, Antonio Carlos, desgostoso, abandonou a vida pública, caindo no ostracismo junto com os políticos que o acompanhavam. Foi em sua gestão que o presidente Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo no Brasil através do golpe de 10 de novembro de 1937.
Em 2004, o major são-joanense Mozart Dornelles, primo em segundo grau de Getúlio Vargas e cunhado de Tancredo lançaria, pela gráfica da UFSJ, seu livro Política, políticos e militares sobre o período de 1930 a 1966 – livro de memórias sobre o envolvimento de militares com o poder. Segundo ele: “A pressão foi grande”.
Tempos depois informava: "Devido à mudança na reitoria, não sabemos quando será lançado", diz Dornelles.
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