Janeiro 13, 2011
Denúncia - Mais contratos envolvem cunhado de Geraldo Alckmin
A bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo decidiu pedir ao Ministério Público Estadual (MPE-SP) investigação sobre as denúncias de tráfico de influência em prefeituras municipais e repartições do Estado, praticado pelo empresário Paulo César Ribeiro - o Paulão - cunhado do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Paulão já é alvo de investigação do MPE-SP, acusado de montar um cartel de empresas para ganhar contratos públicos de alimentação escolar.
O cunhado do governador é suspeito de ter atuado como lobista para um grupo de empresas que, em troca de contratos com os governos municipais (paulistas e de pelo menos quatro outros Estados), teria feito doações de campanha não declaradas à Justiça Eleitoral. Segundo as informações que chegaram à bancada do partido, Paulão atuou, também, como intermediário da Sistal Alimentação de Coletividade Ltda. em contratos firmados com estatais paulistas no valor total de R$ 23,5 milhões.
O empresário é alvo de inquérito do MPE-SP por suspeita de tráfico de influência em prefeituras municipais em favor de outra empresa do setor, a Verdurama Comércio Atacadista de Alimentos Ltda -, fornecedora de merenda escolar entre outras para Pindamonhangaba (Vale do Paraíba), terra natal do governador e de sua mulher, Lu, irmã do empresário. O contrato que teria sido intermediado por Paulão entre a Prefeitura de Pindamonhangaba (SP) e a Verdurama já foi julgado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP). De acordo com o TCE-SP, a licitação em Pindamonhangaba foi direcionada à empresa.
Dia 27 de dezembro pp. a Promotoria do MPE-SP fez buscas na casa e no escritório de Paulão. A assessoria técnica da bancada do PT paulista já descobriu que a atuação do cunhado do governador não está restrita às prefeituras: foram rastreados contratos da Sistal com a Imprensa Oficial do Estado (IMESP) e com a Processamento de Dados do Estado (PRODESP).
"Estamos investigando outras implicações (de Ribeiro) e encontramos a Sistal em contratos com o IMESP e a PRODESP desde 2000 em valores que chegam a quase R$ 24 milhões. Ele aparece como intermediário nessas negociações, agindo como lobista mesmo", afirmou o deputado Antonio Mentor (PT). "Até aqui localizamos esses dois contratos, mas é possível que haja outros.". Promotores especialistas em inquéritos sobre crimes financeiros e violações ao patrimônio público investigam a Sistal por suspeita de pagamento de propinas a prefeitos.
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